Linhas de produção paradas, mercadorias perdidas e agendas de entrega estouradas. Foi nesse clima que a Prefeitura de Itupeva reuniu, em caráter estratégico, representantes da CPFL Energia, do CIESP, da ACE e empresários locais para tratar das interrupções no fornecimento de energia que vêm tirando o sono do setor produtivo. A pauta foi direta: entender por que as falhas se repetem e como reduzir o impacto sobre quem gera emprego e renda na cidade.
O encontro foi conduzido pela Secretaria de Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico. Pela CPFL, a equipe técnica liderada pela gestora regional Ana Caroline Nogueira detalhou as ocorrências recentes e os fatores que mais têm provocado desligamentos. A linha é conhecida de quem acompanha o tema: eventos externos — queda de árvores sobre a rede, colisões de veículos em postes e até animais eletrocutados — respondem por uma fatia relevante dos incidentes e exigem resposta rápida da concessionária em campo.
Redes aéreas são vulneráveis a impactos do clima e do entorno urbano. Ventos fortes, galhos que avançam sobre os cabos e acidentes de trânsito transformam trechos de rede em pontos de risco. A CPFL reforçou a orientação para que moradores e empresas evitem o plantio de árvores em locais inadequados e, principalmente, sob a faixa da rede elétrica. Quando há necessidade de remoção por segurança, a companhia destacou um compromisso ambiental: para cada árvore retirada, cinco mudas são doadas e plantadas em áreas apropriadas.
Outro tema sensível é a comunicação. Operações programadas — como manutenções e intervenções na rede — exigem desligamentos preventivos e são informadas com antecedência por e-mail. O problema? Muitos cadastros estão desatualizados, o que impede que o aviso chegue a tempo. A orientação foi clara: atualizar dados de contato junto à CPFL é crucial para que as empresas recebam alertas e possam se planejar.
Há também o pano de fundo regulatório. Distribuidoras são cobradas por indicadores como duração e frequência de interrupções (DEC e FEC), fiscalizados pela Aneel. Mesmo assim, a combinação de eventos climáticos e interferências externas desafia o sistema — e qualquer falha de comunicação amplia o prejuízo para quem depende da energia minuto a minuto.
Para o parque empresarial, os efeitos são imediatos: paradas de máquinas, desperdício de matéria-prima, ruptura de cadeia fria em alimentos e medicamentos, além de horas extras para recuperar a produção. Pequenos negócios sofrem ainda mais, porque têm menos margem para absorver perdas e reprogramar pedidos. É esse impacto direto na rotina que motivou o encontro em Itupeva, cidade que abriga uma base industrial e comercial ativa na região de Jundiaí.
Do lado prático, a reunião deixou alguns encaminhamentos. A prefeitura se colocou como ponte permanente entre setor produtivo e concessionária, mantendo o diálogo aberto para monitorar ocorrências e cobrar respostas. A CPFL reforçou que o primeiro passo para reduzir ruídos é ajustar o cadastro de todas as unidades consumidoras — quem centraliza a gestão predial ou tem múltiplos CNPJs no mesmo site deve indicar contatos responsáveis e e-mails ativos para avisos técnicos.
Há medidas simples que podem fazer diferença quando o imprevisto acontece. Veja um guia rápido para o empresariado local:
Empresas que dependem de cadeia fria ou processos contínuos podem adotar protocolos de contingência: estoques de gelo reutilizável, procedimentos para descarte seguro quando necessário, e checklists de partida e parada que evitem danos a compressores e motores.
Em relação ao entorno urbano, a mensagem de prevenção ganhou peso. Evitar o plantio de espécies de grande porte sob cabos, respeitar o recuo das calçadas e comunicar ocupações irregulares próximas à rede reduzem a chance de incidentes. Quando a remoção de uma árvore é inevitável por risco elétrico, a reposição ambiental apresentada pela CPFL — cinco mudas para cada supressão — ajuda a compensar o efeito no verde da cidade, desde que o plantio seja feito em áreas adequadas.
Outro ponto que costuma passar despercebido é a rotina de desligamentos programados. Eles acontecem, entre outros motivos, para troca de cabos, instalação de equipamentos e podas de segurança, e evitam falhas maiores. Receber esse aviso com antecedência permite reorganizar turnos, antecipar etapas e proteger máquinas sensíveis. Por isso, o cadastro atualizado volta a ser a peça-chave do quebra-cabeça.
No curto prazo, os empresários esperam redução das ocorrências e respostas mais rápidas quando houver falhas. No médio prazo, o diálogo contínuo com a CPFL deve priorizar mapeamento de trechos críticos e ações preventivas em períodos de maior risco climático. À população em geral, fica o papel de colaborar com informação e cuidado com o espaço urbano — cada ocorrência evitada diminui a chance de uma nova queda de energia que paralisa a cidade.
A prefeitura sinalizou que continuará mediando reuniões e reunindo dados enviados pelas empresas, enquanto a concessionária reforça os canais para registro de ocorrências e solicitações técnicas. Para quem opera no limite do cronograma, toda hora conta. Transparência, aviso prévio e prevenção — esse trio, quando funciona, reduz prejuízo e dá previsibilidade ao dia a dia de quem produz em Itupeva.