Quando Roberto Nanato, apresentador da Jornal da Manhã da Jovem Pan e sua colega Paula Nobre deram o play da edição de quarta‑feira, 8 de outubro de 2025, a primeira notícia foi a aprovação, em votação apertada, da MP Fiscal que pode desaparecer se não for votada ainda hoje nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
A medida, que surgiu para compensar a revogação do decreto do IOF, mantém a alíquota de 17,5 % para aplicações financeiras a partir de 1 de janeiro de 2026, eleva o imposto sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP) de 15 % para 20 % e aumenta a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das fintechs de 9 % para 15 %. As propostas de taxação sobre apostas esportivas, LCI, LCA e LCD foram retiradas após forte pressão do setor produtivo.
Aprovada a MP Fiscal: detalhes e desafios
O texto final foi aprovado na comissão mista do Congresso Nacional com 130 votos a favor e 124 contra, segundo a secretaria da Casa. O prazo para holerite legislativo encerra às 18h (UTC‑3) – se a votação não acontecer, a MP perde validade e o governo terá de redesenhar a política tributária.
"Estamos reavaliando, mas não estamos a favor ainda", declarou Arnaldo Jardim, vice‑presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), refletindo a preocupação dos produtores com o aumento da CSLL. Uma fonte anônima da FPA disse à revista EXAME que "os líderes do governo parecem não querer diálogo".
Especialistas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) alertam que a elevação da CSLL pode reduzir o crédito disponível para startups fintech, setor que tem atraído mais de R$ 30 bilhões em investimentos nos últimos dois anos.
BYD dobra meta de produção na Bahia
Enquanto o debate fiscal ocupava o Congresso, Wang Chuanfu, fundador e presidente executivo da BYD Company Limited, pousou em Camaçari, Bahia, para inaugurar a nova fábrica da montadora chinesa.
Em discurso emocionado, Wang anunciou que a meta anual de produção saltou de 300 mil para 600 mil unidades, depois da BYD superar a Tesla nas vendas globais no terceiro trimestre de 2025. O investimento total na planta baiana chega a US$ 1,2 bilhão, com promessa de gerar 8 mil empregos diretos e 15 mil indiretos.
Analistas da Bloomberg apontam que a expansão reforça a estratégia da BYD de consolidar a América Latina como hub de veículos elétricos, especialmente diante de incentivos fiscais estaduais que favorecem a cadeia de baterias.
iFood apresenta faturamento recorde de R$ 7 bilhões
Em outro ponto de destaque, o iFood Serviços para Internet Ltda. divulgou que seu terceiro trimestre de 2025 bateu o recorde histórico: R$ 7 bilhões em receita, crescimento de 28,7 % frente ao mesmo período de 2024.
O CEO da empresa, Fabricio Bloisi, ressaltou que a expansão para delivery de medicamentos e a parceria com grandes redes de supermercados foram os principais motores da alta. "Estamos consolidando a logística como vantagem competitiva", afirmou.
O dado coloca o iFood como um dos maiores contribuintes de arrecadação de tributos sobre serviços digitais, o que pode influenciar o debate sobre a tributação das fintechs e plataformas online.
Crise do metanol ameaça biodiesel brasileiro
A crise do metanol no Brasil ganhou as manchetes do Jornal da Manhã da Record News, que acumulou 162 mil visualizações até as 10h (UTC‑3). O composto químico, essencial para a produção de biodiesel, está escasso em 47 usinas distribuídas por 12 estados.
O maior impacto foi sentido no Mato Grosso (6 usinas), Paraná (9 usinas) e Minas Gerais (7 usinas). Segundo a Associação Brasileira de Biocombustíveis (ABCB), a interrupção pode reduzir a produção nacional em até 12 % nos próximos dois meses, pressionando os preços do diesel e aumentando a dependência de importações.
O Ministério de Minas e Energia já anunciou um plano de contingência que inclui a liberação de estoques estratégicos e incentivos para a produção nacional de metanol a partir de gás natural.
Repercussões e perspectivas
Com a MP Fiscal pendente, a comunidade empresarial aguarda sinais de estabilidade. O Grupo Brasilinvest estima que a incerteza tributária pode atrasar investimentos em infraestrutura em cerca de R$ 4,5 bilhões até o final do ano.
Ao mesmo tempo, a expansão da BYD e o recorde do iFood sinalizam que setores de tecnologia e mobilidade elétrica continuam em alta, mesmo em um cenário fiscal tenso.
A crise do metanol, por sua vez, traz à tona a vulnerabilidade da cadeia de produção de biocombustíveis, reforçando a necessidade de diversificação de insumos e investimentos em pesquisa.
Pontos-chave da edição de 8/10/2025
- MP Fiscal aprovada na comissão mista do Congresso; votação final até 18h.
- Arnaldo Jardim (FPA) ainda não endossa a proposta.
- Wang Chuanfu inaugura fábrica BYD em Camaçari e dobra meta para 600 mil veículos.
- iFood registra faturamento recorde de R$ 7 bi no 3º trimestre.
- Crise do metanol afeta 47 usinas de biodiesel em 12 estados.
Perguntas Frequentes
Como a aprovação da MP Fiscal pode impactar as fintechs brasileiras?
A elevação da CSLL de 9 % para 15 % aumenta o custo tributário das fintechs, reduzindo sua margem de lucro. Analistas esperam que isso torne mais caro captar recursos e ofereça crédito a pequeno varejo, podendo frear a expansão de startups digitais nos próximos 12 a 18 meses.
Qual a importância da nova fábrica da BYD para a economia da Bahia?
Além dos 8 mil empregos diretos, a planta deve gerar cerca de R$ 3,5 bilhões em circulação local, impulsionando fornecedores de peças, logística e serviços de energia. A meta de 600 mil veículos por ano coloca a Bahia como um hub estratégico para exportação de EVs para a América do Sul.
De que forma a crise do metanol afeta o preço do diesel no país?
Com menos biodiesel na mistura, as refinarias precisam compensar com diesel puro, que costuma ser mais caro. Estudos da ABRASF apontam que o preço pode subir entre 5 % e 8 % nos postos, pressionando consumidores e transporte de carga.
O que o recorde de faturamento do iFood indica sobre o setor de delivery?
O salto de quase 29 % demonstra que o delivery está se consolidando como canal permanente, não apenas sazonal. A expansão para produtos farmacêuticos e itens de supermercado amplia o ticket médio e indica que a concorrência terá que investir em logística para acompanhar o ritmo.
Qual a chance de a MP Fiscal ser aprovada antes do fim do dia?
Especialistas do Senado dizem que a votação ainda enfrenta resistência principalmente dos parlamentares do agronegócio e de alguns partidos de oposição. A expectativa é que haja adiamentos, mas o relógio corre – se não for aprovada até as 18h, a MP perde validade e o governo terá que rediscutir a tributação.
Cristiane Couto Vasconcelos
outubro 8, 2025 AT 23:52A aprovação da MP Fiscal traz muita incerteza para fintechs, mas ainda há espaço para diálogo entre governo e setor. A medida pode ser ajustada se houver pressão coordenada dos empreendedores. Vamos acompanhar e apoiar iniciativas que incentivem inovação.
Deivid E
outubro 13, 2025 AT 14:58Mais uma política que só atrapalha o mercado.
Túlio de Melo
outubro 18, 2025 AT 06:05O aumento da CSLL parece um golpe pesado ao ecossistema de startups. Muitos investidores já alertam que a margem de lucro vai encolher rapidamente. Sem crédito barato, a expansão das fintechs pode desacelerar. Ainda assim, há quem veja oportunidade em adequar modelos de negócio. O debate no Congresso ainda está longe de fechar.
Larissa Roviezzo
outubro 22, 2025 AT 21:12Uau, a BYD dobrando a produção na Bahia é um verdadeiro espetáculo, quase um filme de ficção científica! Enquanto uns comemoram empregos, outros já sussurram que a energia da região pode não aguentar essa explosão de veículos elétricos. E ainda tem a crise do metanol que ameaça o biodiesel – parece que cada notícia traz mais drama que a outra. O país fica preso entre avanços gloriosos e gargalos rosquinhos. Preparem a pipoca, porque o futuro está cheio de reviravoltas.
Luciano Hejlesen
outubro 27, 2025 AT 11:18🤯 Essa MP Fiscal vai acabar com a criatividade das fintechs, e ainda por cima o iFood bate recorde enquanto a gente luta contra a crise do metanol. 🌪️ O governo parece estar jogando xadrez sem olhar para o tabuleiro, só mexendo as peças fiscais. Se não houver ajuste rápido, vamos ver um tsunami de desistências… 😬
Marty Sauro
novembro 1, 2025 AT 02:25Ótimo, mais um charme fiscal para animar o clima de negócios. Afinal, quem não adora ver impostos subindo enquanto a gente tenta crescer? É quase como se o governo estivesse nos presenteando com um desafio extra, de graça. Vamos brindar com um copo de... água sem açúcar, porque o lucro vai secar.
Aline de Vries
novembro 5, 2025 AT 17:32Olha só, a taxa de CSLL subindo pra 15% vai deixar a galera das fintechs na maior sofrencia. Ninguém quer ver startup morrendo por causa de imposto alto. Se a gente não pressionar agora, o prejuízo vira realidade. Tô botando o dedo na ferida pra lembrar: a gente precisa de espaço pra inovar.
Wellington silva
novembro 10, 2025 AT 08:38O cenário fiscal atual impõe um custo de capital efetivo que, em termos de WACC, eleva significativamente o hurdle rate das empresas de tecnologia financeira. Essa alta da CSLL, combinada ao aumento do JCP, reduz a atratividade dos projetos de escalabilidade. Em síntese, o CAPEX previsto para 2025-2026 terá que ser reavaliado à luz de um maior custo de financiamento. Também é crucial observar o impacto sobre os índices de liquidez, especialmente o quick ratio das startups emergentes. Em última análise, a decisão legislativa pode gerar um efeito cascata nos múltiplos de valuations de mercado.
Mauro Rossato
novembro 14, 2025 AT 23:45Concordo, o diálogo é essencial. Talvez a associação das fintechs organize uma reunião com representantes do Ministério da Economia para apresentar propostas mais equilibradas.
Tatianne Bezerra
novembro 19, 2025 AT 14:52Tá na hora de acelerar a infraestrutura de energia na Bahia! Sem uma rede robusta, esses 600 mil veículos vão ficar presos sem carregadores. Bora pressionar as concessionárias e o governo estadual pra garantir investimento em pontos de recarga estratégicos.
Hilda Brito
novembro 24, 2025 AT 05:58Bom, se o governo não cuida da carga tributária, a gente vai acabar vendo um número menor de startups surgindo todo ano. Acho que é hora de abrir um lobby forte para frear essa subida exagerada.
edson rufino de souza
novembro 28, 2025 AT 21:05Nem parece coincidência que a MP Fiscal surge exatamente quando a BYD aumenta a produção. Só fica a sensação de que há um plano maior pra direcionar recursos ao setor automotivo e deixar as fintechs no escuro.
Bruna Boo
dezembro 3, 2025 AT 12:12É, parece que a gente sempre paga a conta enquanto o governo faz festa. Se não houver pressão coletiva, vamos ficar só na promessa.
Ademir Diniz
dezembro 8, 2025 AT 03:18Boa análise, realmente os índices financeiros vão sentir o peso. Vale a pena as startups revisarem seus modelos de captação e buscar alternativas como capital de risco estrangeiro.
Luziane Gil
dezembro 12, 2025 AT 18:25Exatamente, um encontro estratégico pode gerar um documento de posicionamento que pressione os parlamentares. Tenho experiência em conduzir essas mesas e posso ajudar a organizar.
Jose Ángel Lima Zamora
dezembro 17, 2025 AT 09:32É imprescindível que o governo estadual elabore um plano de expansão da rede de carregamento que considere a projeção de produção da BYD. Recomenda-se a criação de incentivos fiscais específicos para operadoras de pontos de recarga, bem como a simplificação de licenças ambientais.
Debora Sequino
dezembro 22, 2025 AT 00:38Ah, então a solução é abrir lobby, mas quem tem tempo e recursos para isso, afinal, a maioria das fintechs está ocupada vivendo de empréstimos…; talvez um grupo de pressão seja mais efetivo que discursos vazios, não acha?
Benjamin Ferreira
dezembro 26, 2025 AT 15:45É uma hipótese interessante, mas sem evidências concretas é difícil corroborar uma relação causal. O que podemos analisar são os dados de investimento setoriais e as mudanças regulatórias ocorridas nos últimos meses.
Marco Antonio Andrade
dezembro 31, 2025 AT 06:52Concordo plenamente, a sensação de estar pagando sempre a conta é frustrante. Precisamos fortalecer a união do ecossistema e buscar apoio de associações para fazer pressão conjunta.
Ryane Santos
janeiro 4, 2026 AT 21:58A crise do metanol tem revelado fragilidades estruturais na cadeia produtiva de biocombustíveis no Brasil. A escassez em 47 usinas impacta diretamente a proporção de biodiesel nas misturas de diesel, elevando os custos operacionais das transportadoras e dos postos de combustíveis. Estudos da ABRASF apontam que o preço do diesel pode subir entre 5% e 8%, o que representa um peso adicional significativo para consumidores e empresas logísticas. Além disso, a dependência crescente de importações de diesel puro pode comprometer a balança comercial do país. O governo, ao liberar estoques estratégicos, busca mitigar a volatilidade, mas essas medidas são paliativas e não resolvem a origem do problema. Investir em produção de metanol a partir de gás natural, conforme anunciado, exige infraestrutura de captura e distribuição que ainda não está plenamente desenvolvida. A longo prazo, a diversificação de insumos, incluindo a pesquisa em alternativas como o etanol verde, pode reduzir a vulnerabilidade. Enquanto isso, as usinas precisam adaptar seus processos para operar com menores volumes de metanol, o que pode exigir ajustes técnicos e investimentos adicionais. O setor de agronegócio, que fornece a matéria-prima para o biodiesel, também sente os efeitos, já que a demanda por soja e milho pode ser impactada. Há ainda a preocupação de que a redução da produção de biodiesel comprometa metas de redução de emissões estabelecidas pelo país. Por outro lado, a crise pode estimular a inovação tecnológica, levando ao desenvolvimento de catalisadores mais eficientes que necessitem de menos metanol. O debate no Congresso sobre a MP Fiscal, por sua vez, traz à tona a necessidade de um ambiente regulatório que favoreça investimentos em energia limpa, sem sobrecarregar as empresas com tributos excessivos. A análise conjunta desses fatores mostra que a política fiscal e a segurança de suprimentos de insumos são interdependentes. Em síntese, para garantir a estabilidade do mercado de combustíveis, é imprescindível articular ações de curto prazo, como a liberação de estoques, com estratégias de médio e longo prazo focadas em produção local de metanol e diversificação de fontes energéticas. Só assim o Brasil poderá cumprir seus compromissos ambientais e manter a competitividade da indústria de biocombustíveis.